The Elder Scrolls V: Skyrim Anniversary Edition - Análise The Ronin

Existem jogos que envelhecem bem e existem jogos que simplesmente continuam relevantes. The Elder Scrolls V: Skyrim pertence à segunda categoria.

Lançado originalmente em 11 de novembro de 2011, Skyrim se tornou um dos maiores RPGs de mundo aberto de sua geração e, mais de uma década depois, continua sendo revisitado por milhões de jogadores. A Anniversary Edition, lançada em novembro de 2021, reúne a Special Edition com uma grande quantidade de conteúdo adicional do Creation Club, incluindo novas missões, armas, armaduras, masmorras e modos de jogo.


Nesta análise, a experiência é baseada em aproximadamente 500 horas de jogo no PC com a Anniversary Edition. E essa quantidade de tempo deixa uma coisa clara: Skyrim não é um jogo que depende apenas da primeira impressão.

Antes, entenda como avaliamos e pontuamos uma análise, clique aqui.

Um mundo que deixa você fazer o que quiser

A maior qualidade de Skyrim continua sendo sua liberdade.

O jogo não obriga o jogador a seguir um único caminho. Você pode começar uma missão, abandonar tudo depois de alguns minutos, encontrar uma caverna no meio do caminho, resolver uma missão secundária e acabar envolvido em outra história completamente diferente.

É essa sensação constante de descoberta que transforma Skyrim em uma experiência tão fácil de revisitar.

A Bethesda construiu um mundo em que praticamente qualquer direção pode levar a alguma coisa. Há cidades, fortalezas, cavernas, ruínas, masmorras, personagens, histórias paralelas e uma quantidade enorme de missões espalhadas por Skyrim. A própria proposta oficial do jogo sempre esteve ligada à liberdade de explorar o mundo e construir o personagem da maneira que o jogador preferir.

O sistema de progressão também contribui muito para isso. Você pode experimentar diferentes armas, magias, habilidades e estilos de jogo e, conforme avança, adaptar sua build ao que estiver funcionando melhor.

Mesmo depois de centenas de horas, ainda existe aquela sensação de que você pode sair andando sem objetivo e encontrar alguma coisa interessante.

Combate simples, mas extremamente funcional

O combate de Skyrim nunca foi conhecido por ser o mais sofisticado do gênero, e isso continua verdadeiro.

Os controles são simples, os ataques respondem bem e o sistema funciona sem exigir uma curva de aprendizado complicada. Espadas, machados, arcos, escudos e magia oferecem diferentes maneiras de enfrentar os inimigos, enquanto o sistema de habilidades permite criar personagens bastante diferentes.

Por outro lado, depois de tantas horas, a repetição começa a aparecer. Alguns encontros, principalmente contra determinados inimigos, podem se tornar previsíveis. O sistema também não possui a profundidade ou a precisão de RPGs de ação mais modernos.

Ainda assim, é difícil considerar isso um problema grave porque Skyrim compensa essa simplicidade com liberdade de construção. Você não precisa jogar sempre da mesma forma.

Uma história que funciona, mesmo podendo ir além

A história principal acompanha o Dragonborn em uma jornada envolvendo dragões, profecias e Alduin, enquanto o jogador também pode se envolver em conflitos políticos e diversas outras tramas espalhadas pelo mundo.

O roteiro funciona justamente porque Skyrim não depende exclusivamente da campanha principal para contar suas histórias.

Personagens memoráveis, facções, missões secundárias e pequenos acontecimentos encontrados durante a exploração conseguem criar momentos que permanecem na memória muito depois de terminar a campanha.

A história principal, porém, poderia ter sido mais longa e trabalhada em alguns momentos. O encerramento funciona, mas deixa a sensação de que poderia ter entregue algo ainda mais marcante depois de toda a construção feita ao longo da aventura.

É justamente aí que Skyrim mostra sua natureza: muitas vezes, a história que você lembra anos depois nem sequer é a principal.

Explorar Skyrim ainda é uma experiência especial

Se existe uma categoria em que Skyrim continua sendo extraordinário, é esta.

A quantidade de conteúdo espalhada pelo mapa é impressionante. Existem descobertas praticamente em qualquer direção, e muitas delas levam a pequenas histórias que você sequer estava procurando.

O mundo também possui uma identidade visual muito própria. Montanhas cobertas de neve, florestas, ruínas antigas, vilas, cavernas e, principalmente, os céus de Skyrim criam paisagens que continuam sendo reconhecíveis mesmo depois de tantos anos.

A liberdade é tão importante que até atividades aparentemente simples podem se transformar em uma nova sequência de acontecimentos.

O problema é que nem tudo possui o mesmo nível de qualidade. Algumas missões podem acabar parecendo tarefas repetitivas de ir até um lugar, eliminar inimigos e voltar. A quantidade de conteúdo é enorme, mas nem todo conteúdo possui a mesma qualidade.

Ainda assim, quando Skyrim acerta, ele acerta em cheio.

Um jogo bonito de 2011

É impossível analisar os gráficos de Skyrim sem levar em consideração sua idade.

A Anniversary Edition trouxe melhorias e uma grande quantidade de conteúdo adicional, mas a base visual continua sendo de um jogo originalmente lançado em 2011.

Personagens, animações e alguns efeitos entregam claramente a idade do projeto. Os movimentos podem parecer travados e alguns modelos perderam bastante impacto diante dos padrões atuais.

Mas existe uma diferença entre envelhecer e perder identidade.

Skyrim continua tendo uma direção de arte muito forte. As auroras boreais, montanhas, paisagens nevadas e ruínas possuem uma personalidade que ainda funciona muito bem.

Os gráficos não são o principal motivo para jogar Skyrim hoje. O mundo é.

Uma trilha sonora que virou parte da identidade do jogo

Aqui está uma das áreas em que Skyrim envelheceu excepcionalmente bem.

A trilha sonora é uma das grandes responsáveis pela atmosfera do jogo. As músicas acompanham exploração, combates e momentos mais grandiosos sem parecerem deslocadas.

Os efeitos sonoros são competentes, a dublagem cumpre seu papel e a ambientação sonora ajuda a construir a sensação de estar caminhando por um mundo antigo e gigantesco.

Mas é a trilha de Jeremy Soule que realmente permanece.

É difícil imaginar Skyrim sem suas músicas.

A técnica depende do que você espera de um jogo de 2011

No PC, a Anniversary Edition oferece uma experiência muito melhor preparada para os padrões atuais do que o Skyrim original, mas ainda carrega características de uma produção de outra época.

Bugs, animações antigas e algumas limitações técnicas continuam existindo em algum nível. Ao mesmo tempo, a versão atual se beneficia de uma base mais madura e de anos de correções, além de toda a estrutura adicionada pela Special Edition e pela Anniversary Edition.

A versão Anniversary Edition também inclui os três grandes complementos oficiais: Dawnguard, Hearthfire e Dragonborn, além de centenas de conteúdos do Creation Club. A Bethesda afirma que são mais de 500 elementos de conteúdo adicional incluídos na edição.

É uma experiência tecnicamente antiga, mas longe de parecer abandonada.

Skyrim ainda vale a pena?

Depois de 500 horas, a resposta é bastante simples: sim.

Skyrim possui defeitos evidentes. O combate poderia ser mais profundo, algumas missões são repetitivas, as animações envelheceram e os gráficos já não impressionam como em 2011.

Só que nenhuma dessas limitações consegue apagar aquilo que tornou Skyrim tão especial.

A sensação de sair de uma cidade sem saber exatamente para onde está indo e voltar horas depois com uma nova arma, uma missão inesperada, uma história para contar e dezenas de lugares que você ainda quer conhecer continua funcionando.

E talvez esse seja o maior elogio possível para um RPG lançado em 2011.

Depois de tantos anos, Skyrim ainda consegue fazer o jogador esquecer o objetivo principal simplesmente porque apareceu alguma coisa interessante no caminho.

Nossa leitura

Skyrim não é perfeito e nunca precisou ser.

Seu maior mérito não está em ter o melhor combate, os melhores gráficos ou a história mais complexa do gênero. Está na combinação entre liberdade, exploração, progressão e uma identidade própria que faz cada jogador construir sua própria experiência.

Com cerca de 500 horas, ainda existem motivos para voltar a Skyrim. E isso diz muito sobre a força de seu mundo.

A Anniversary Edition também é, atualmente, a maneira mais completa de experimentar o jogo, reunindo a Special Edition, seus complementos e uma enorme quantidade de conteúdo adicional.

Skyrim continua sendo um daqueles jogos em que terminar a história nunca significa realmente terminar a aventura.

The Ronin Score 9,5/10

“Skyrim remains one of those rare RPGs where finishing the main story never truly means finishing the adventure.”

Gameplay: 10/10
História: 9,5/10
Exploração: 10/10
Visual: 8/10
Áudio: 10/10

Desempenho/Técnica: 9/10

Cálculo da nota:
(10 × 0,30) + (9,5 × 0,20) + (10 × 0,15) + (8 × 0,15) + (10 × 0,10) + (9 × 0,10) = 9,50

Veredito: Recomendamos.

Análise por William Alves
Editor e crítico do The Ronin

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