Star Wars Jedi: Fallen Order - Análise The Ronin

Poucos universos combinam tão naturalmente com videogames quanto Star Wars. A fantasia de controlar um sabre de luz, utilizar a Força e explorar diferentes planetas é praticamente feita para o formato. Star Wars Jedi: Fallen Order entende isso muito bem e transforma essa ideia em um dos melhores jogos da franquia focados em um Jedi original.

Lançado em 2019 pela Respawn Entertainment, Fallen Order acompanha Cal Kestis, um antigo Padawan que sobreviveu à Ordem 66 e passou anos escondendo sua identidade do Império. A aventura coloca o protagonista novamente no caminho dos Jedi enquanto ele atravessa diferentes planetas e enfrenta os Inquisidores enviados para caçá-lo.

Medalha de Prata - The Ronin

Depois de aproximadamente 72 horas no PC, a impressão é de que Fallen Order entrega exatamente aquilo que seu primeiro jogo precisava entregar: uma ótima base para uma nova jornada.

Um combate que faz você se sentir um Jedi

O maior destaque de Fallen Order está no combate.

A Respawn conseguiu criar uma jogabilidade que mistura ação com elementos claramente inspirados em soulslikes. Ataques precisam ser bem posicionados, defesas e esquivas importam, inimigos possuem padrões que precisam ser aprendidos e alguns confrontos exigem bastante atenção.

Isso funciona especialmente bem porque o jogo consegue transmitir a sensação de evolução de Cal.

Você começa como um Jedi ainda inseguro e, conforme a aventura avança, aprende novas habilidades da Força, melhora suas capacidades e amplia seu repertório de combate.

Usar o sabre de luz nunca deixa de ser interessante. Há uma satisfação enorme em bloquear um ataque, encontrar uma abertura e responder imediatamente com um golpe. Os confrontos contra inimigos mais fortes também conseguem criar aquele sentimento de aprendizado tão importante para jogos inspirados na fórmula Souls.

O sistema, porém, possui suas limitações.

Existe uma variedade razoável de habilidades e possibilidades de combate, mas depois de muitas horas fica mais evidente que a estrutura não muda tanto. Algumas batalhas começam a seguir padrões previsíveis e o repertório não é tão amplo quanto poderia ser.

Mesmo assim, é difícil negar a qualidade da base. Fallen Order possui um dos melhores sistemas de combate já utilizados em um jogo de Star Wars, principalmente por conseguir fazer o jogador realmente sentir que está aprendendo a ser um Jedi.

Uma história que poderia terminar melhor

A história é um dos pontos mais interessantes de Fallen Order.

Cal Kestis funciona bem como protagonista justamente porque sua jornada não começa com um Jedi pronto. Ele precisa recuperar habilidades que perdeu e aprender novamente a lidar com o próprio passado.

A relação com Cere Junda, BD-1 e os outros personagens ajuda a sustentar essa evolução, enquanto os Inquisidores adicionam uma ameaça que combina perfeitamente com o período em que a história acontece.

A Segunda Irmã, Trilla Suduri, é particularmente importante nesse aspecto. Ela foi uma antiga Padawan de Cere antes de ser capturada e transformada em uma Inquisidora pelo Império. Essa ligação dá ao conflito uma dimensão pessoal que vai além do simples confronto entre herói e vilão.

E é justamente por isso que o final deixa uma sensação estranha.

A campanha chega a um de seus momentos mais importantes e, quando você espera que a história desenvolva ainda mais as consequências de tudo que foi construído, ela simplesmente termina.

Existe peso naquele encerramento, mas falta aquela sensação de uma grande conclusão.

A aventura é boa. O problema é que ela termina rápido demais para o tamanho da história que estava construindo.

Planetas que fazem a aventura valer a pena

A exploração também é uma das características mais interessantes de Fallen Order, embora esteja longe de ser completamente aberta.

Cada planeta possui caminhos, atalhos, áreas opcionais, colecionáveis e locais que podem ser revisitados depois que novas habilidades são desbloqueadas.

Essa estrutura funciona bem para dar a sensação de evolução. Você passa por um lugar aparentemente inacessível e, horas depois, retorna com uma nova habilidade e descobre que aquele caminho estava esperando por você desde o início.

Os planetas também estão entre os pontos mais memoráveis da aventura.

A ambientação de Kashyyyk, por exemplo, consegue transportar o jogador diretamente para o universo de Star Wars, enquanto outros mundos apresentam ambientes bastante diferentes entre si.

Por outro lado, a exploração poderia ser mais aberta.

O jogo apresenta áreas grandes, mas muitas delas funcionam como caminhos relativamente guiados. Existe liberdade para explorar, porém ela é limitada pela própria estrutura das fases.

Ainda assim, há conteúdo suficiente para recompensar quem sai do caminho principal.

Um Star Wars bonito

Visualmente, Fallen Order continua impressionando.

Os planetas possuem identidade própria, os personagens são bem construídos e os ambientes conseguem transmitir escala sem perder personalidade.

Mais importante que o nível técnico é a direção de arte. O jogo sabe utilizar elementos reconhecíveis de Star Wars e misturá-los com novos ambientes e personagens.

Ver Cal atravessando uma floresta, explorando uma ruína antiga ou empunhando seu sabre em um corredor tomado pelo Império é justamente o tipo de situação que faz o jogo funcionar como uma experiência de fã.

Os gráficos não são perfeitos, mas cumprem muito bem seu papel.

Áudio que poderia ser melhor

É aqui que Fallen Order menos impressiona dentro das categorias avaliadas.

A ambientação sonora funciona e os efeitos de combate ajudam a vender a sensação de estar utilizando um sabre de luz. A trilha acompanha bem os principais momentos da aventura e contribui para a atmosfera.

O problema é que o conjunto não possui o mesmo impacto do combate ou dos visuais.

Há momentos em que a música poderia contribuir mais para a emoção das cenas, enquanto alguns efeitos e diálogos não possuem o mesmo nível de destaque.

Não chega a ser ruim, mas é uma categoria que fica abaixo das principais qualidades do jogo.

Uma boa experiência técnica, mesmo em hardware modesto

Um dos pontos mais positivos da experiência foi o desempenho.

Mesmo jogando em uma configuração bastante modesta para os padrões atuais, com Vega 11, o jogo apresentou uma experiência satisfatória e relativamente bem otimizada.

Para uma produção desse tamanho, isso merece destaque.

É claro que Fallen Order não está livre de problemas técnicos. Há pequenas falhas, bugs pontuais e algumas características herdadas de uma produção de sua geração.

Mesmo assim, tecnicamente o jogo cumpre bem seu papel.

72 horas depois

Depois de aproximadamente 72 horas, a conclusão é simples: Fallen Order é um ótimo primeiro passo.

Ele não é perfeito e não possui a mesma profundidade em todas as categorias, mas acerta justamente naquilo que mais importa para um jogo de Star Wars focado em um Jedi.

Você luta com um sabre de luz.

Usa a Força.

Viaja por planetas diferentes.

E, principalmente, sente que está evoluindo junto com Cal.

Essa sensação de progressão é uma das maiores forças da experiência.

Nossa leitura

Star Wars Jedi: Fallen Order é um jogo que entende o tamanho do universo em que está inserido, mas não tenta depender apenas da licença para funcionar.

Seu combate é o grande destaque, especialmente pela maneira como combina ação e elementos de soulslike. A evolução de Cal também funciona muito bem e ajuda a transformar a progressão em parte importante da experiência.

Os problemas aparecem principalmente na variedade limitada do combate, na exploração relativamente linear e em uma história que termina justamente quando deveria estar entregando seu momento mais forte.

Ainda assim, como primeiro capítulo, Fallen Order é muito bem-sucedido.

É um jogo que consegue fazer você se sentir parte do universo de Star Wars em vários momentos.

O problema é que, quando essa sensação está no auge, a história simplesmente acaba.

“Fallen Order makes you feel like a Jedi, but just when its story reaches its most important moment, it suddenly comes to an end.”

The Ronin Score: 8,1/10

Gameplay: 9/10
História: 8/10
Exploração: 7/10
Visual: 8/10
Áudio: 6/10
Desempenho/Técnica: 8/10

Cálculo da nota:
(9 × 0,30) + (8 × 0,20) + (7 × 0,15) + (8 × 0,15) + (6 × 0,10) + (8 × 0,10) = 8,10

Veredito: Recomendamos.

Análise por William Alves
Editor e crítico do The Ronin

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