Depois de uma aventura completa com Peter Parker, a Insomniac decidiu passar o manto temporariamente para Miles Morales. O resultado continua sendo muito bom.
Lançado originalmente em 2020 e desenvolvido pela Insomniac Games, o jogo coloca Miles Morales no centro de sua própria jornada como Spider-Man. A aventura acompanha o jovem herói enquanto ele aprende a dominar seus poderes, enfrenta novas ameaças e tenta proteger o Harlem enquanto lida com o peso de assumir um legado que não é apenas seu.
Marvel’s Spider-Man: Miles Morales mantém praticamente tudo que funcionava no jogo anterior, adiciona novas habilidades e coloca um novo protagonista no centro da história. O problema é justamente a escala.
Depois de aproximadamente 40 horas entre os dois jogos, Miles Morales passa a sensação de ser uma ótima expansão que acabou recebendo o tratamento de um jogo separado. Isso não significa que a aventura seja ruim. Pelo contrário: ela é divertida, bonita e apresenta boas mudanças. Mas poderia ter sido muito mais.
Antes, entenda como avaliamos e pontuamos uma análise, clique aqui.
Miles traz novidades para o combate
A maior diferença está no próprio personagem.
Miles possui habilidades que Peter não tem, principalmente seus poderes bioelétricos e a capacidade de ficar invisível.
Essas mecânicas acrescentam variedade aos combates e ajudam a diferenciar os dois Spider-Men.
O sistema de movimentação continua excelente.
Balançar por Nova York ainda é uma das partes mais divertidas da experiência, e a estrutura construída no primeiro jogo funciona perfeitamente para Miles.
O problema é que boa parte da fundação permanece praticamente intacta.
Isso não é necessariamente negativo, afinal, a base já era ótima, mas deixa claro que o segundo jogo não representa uma mudança tão grande quanto o salto entre duas gerações normalmente sugeriria.
Uma história menor do que poderia ser
Miles é um personagem interessante e sua jornada possui potencial.
A ideia de acompanhar um jovem descobrindo como assumir responsabilidades enquanto ainda aprende a controlar seus poderes funciona bem.
Só que a campanha é curta demais para explorar tudo isso como deveria.
O desenvolvimento de Miles como Spider-Man poderia ser mais gradual. Existe uma transformação acontecendo, mas ela parece acelerada porque a história precisa chegar rapidamente ao fim.
Isso afeta também os personagens ao redor dele.
Algumas relações poderiam ter recebido mais tempo de tela e determinados conflitos poderiam ter sido aprofundados.
O resultado é uma campanha que funciona, mas deixa aquela sensação de que havia espaço para mais.
Harlem ganha destaque
A exploração continua boa, principalmente porque a movimentação pelo mapa permanece excelente.
Miles também tem uma identidade própria dentro da cidade, especialmente pela importância dada ao Harlem.
O jogo consegue apresentar uma Nova York um pouco diferente daquela experiência com Peter, mas ainda aproveita bastante a estrutura anterior.
As atividades secundárias, crimes e colecionáveis continuam presentes. E, novamente, surge o mesmo problema: depois de algumas horas, parte do conteúdo começa a parecer repetitivo.
Um dos jogos mais bonitos da geração
Visualmente, Miles Morales é um espetáculo.
A Insomniac consegue utilizar a atmosfera do inverno, iluminação, efeitos de partículas e cores para dar ao jogo uma personalidade diferente.
Os poderes bioelétricos de Miles também produzem efeitos visuais muito bonitos durante os combates.
Além disso, animações e expressões faciais ajudam a vender melhor os momentos mais pessoais da narrativa.
É um dos pontos em que fica mais fácil perceber que Miles Morales não é simplesmente uma cópia do primeiro jogo.
Áudio funciona, mas não rouba a cena
A parte sonora acompanha bem o jogo.
Os efeitos dos poderes e do combate ajudam a diferenciar Miles, enquanto a ambientação mantém a cidade viva. A trilha também funciona bem durante momentos de ação e cenas mais emocionais.
Não é um aspecto ruim, mas também não está entre os elementos que mais se destacam.
Tecnicamente, mantém o nível
No PC, a experiência mantém uma boa qualidade técnica.
A versão conta com diferentes opções gráficas e recursos avançados, permitindo ajustar a experiência para diferentes configurações.
Assim como no Remastered, existem alguns problemas pontuais e características herdadas de jogos grandes desse porte, mas nada que comprometa o conjunto.
Então por que parece uma DLC?
Essa é a pergunta inevitável.
Miles Morales tem novos poderes, uma história própria, novos personagens e uma ambientação com identidade própria.
Mas a estrutura geral é tão próxima do primeiro jogo que a sensação de expansão permanece. E isso é reforçado pela duração.
A história é curta, o mapa utiliza grande parte da mesma estrutura e várias mecânicas continuam praticamente iguais. Na prática, a Insomniac poderia ter utilizado essa mesma ideia como uma grande expansão do Spider-Man original. Isso provavelmente teria feito mais sentido em termos de escala.
Mesmo assim, Miles merece ser jogado
A crítica não muda a qualidade da experiência.
Miles Morales é um personagem carismático, seus poderes funcionam muito bem no combate e a sensação de atravessar Nova York continua excelente.
O jogo também serve como uma boa introdução para Miles dentro do universo da Insomniac.
O que falta é tempo. Tempo para desenvolver melhor os poderes. Tempo para trabalhar os personagens. Tempo para aprofundar a história.
E, principalmente, tempo para fazer a aventura parecer tão grande quanto o potencial do protagonista.
Nossa leitura
Marvel’s Spider-Man: Miles Morales é um excelente complemento ao universo criado pela Insomniac, mas não parece tão completo quanto o jogo de Peter Parker.
O combate continua ótimo, os poderes de Miles funcionam muito bem e o visual é excelente.
Porém, a história é curta, o desenvolvimento do protagonista poderia ser melhor trabalhado e boa parte da estrutura já havia sido estabelecida no jogo anterior.
É por isso que a sensação de que Miles Morales deveria ter sido uma expansão nunca desaparece completamente.
Ainda assim, seria injusto tratá-lo como algo menor.
É uma ótima aventura de Spider-Man, apenas uma aventura que termina cedo demais.
“Miles Morales proves that the formula works with a new hero, but his story ends just when it starts to feel complete.”
The Ronin Score: 8,0/10
Gameplay: 8/10
História: 8/10
Exploração: 8/10
Visual: 8/10
Áudio: 8/10
Desempenho/Técnica: 8/10
Cálculo da nota:
(8 × 0,30) + (8 × 0,20) + (8 × 0,15) + (8 × 0,15) + (8 × 0,10) + (8 × 0,10) = 8,00
Veredito: Recomendamos.
Análise por William Alves
Editor e crítico do The Ronin
Postar um comentário