Red Dead Redemption 2 - Análise The Ronin

Alguns jogos contam uma história. Outros conseguem fazer você sentir que viveu uma vida inteira ao lado de seus personagens. Red Dead Redemption 2 pertence à segunda categoria. Com uma narrativa extremamente detalhada, um mundo aberto impressionante, sistemas de sobrevivência e um nível de realismo que continua servindo de referência, Red Dead Redemption 2 transforma a jornada de Arthur Morgan em uma das experiências mais marcantes dos videogames.

Lançado em 2018 pela Rockstar Games, Red Dead Redemption 2 acompanha Arthur Morgan, membro da gangue Van der Linde, durante um dos períodos mais importantes e turbulentos da história daquele grupo. A aventura mistura ação, exploração, sobrevivência e uma enorme quantidade de sistemas para construir um mundo em que praticamente cada elemento parece ter uma consequência.


Depois de aproximadamente 80 horas, a sensação é de que Red Dead Redemption 2 é muito mais do que um jogo de mundo aberto. Ele é uma experiência construída em torno de detalhes, ritmo e personagens. E é justamente por isso que algumas partes podem parecer lentas, enquanto outras conseguem entregar alguns dos momentos mais marcantes de toda a experiência.

Uma história que carrega o jogo inteiro

Se existe um elemento que define Red Dead Redemption 2, é a sua história.

Arthur Morgan é um protagonista extremamente bem construído porque sua jornada não se resume a sobreviver ou cumprir missões. Existe uma evolução constante na maneira como ele enxerga a própria vida, a gangue e as pessoas ao seu redor.

A Rockstar consegue desenvolver essa transformação de maneira gradual, sem depender apenas de grandes acontecimentos.

Conversas durante viagens, momentos no acampamento, encontros aleatórios e pequenas interações ajudam a construir a personalidade de Arthur e fazem com que o jogador se acostume com aquele grupo antes de perceber o quanto tudo está mudando.

É uma narrativa lenta, mas essa lentidão é parte importante do que faz a história funcionar.

O problema é que esse mesmo ritmo pode pesar em alguns momentos.

Durante determinadas partes da campanha, especialmente em momentos de exploração mais prolongada, a sensação de estar avançando pouco pode gerar certo tédio.

Ainda assim, são raros os momentos em que isso realmente compromete a experiência.

E quando a história começa a conectar Arthur com os acontecimentos que levam ao primeiro Red Dead Redemption, tudo ganha ainda mais peso.

A conexão entre os dois jogos é uma das partes mais marcantes da experiência e ajuda a transformar a trajetória de Arthur em algo muito maior do que uma simples história paralela.

Um mundo aberto que quer ser vivido

A exploração é outro dos grandes destaques.

O mundo de Red Dead Redemption 2 não existe apenas para criar uma área gigantesca onde as missões acontecem. Ele possui suas próprias rotinas, personagens, animais, clima e acontecimentos.

Você pode passar longos períodos simplesmente cavalgando, pescando, caçando, explorando uma região desconhecida ou encontrando alguma situação completamente inesperada.

E é exatamente esse tipo de liberdade que torna o mapa tão interessante.

Nem sempre existe uma recompensa imediata esperando por você. Muitas vezes, a própria descoberta é a recompensa.

O problema é que essa filosofia também contribui para o ritmo mais lento do jogo.

Existem momentos em que viajar longas distâncias ou simplesmente atravessar o mapa pode parecer cansativo, especialmente quando o jogador já está acostumado com jogos que aceleram esse tipo de deslocamento.

Ainda assim, é difícil negar o tamanho e a qualidade da exploração.

Combate, sobrevivência e mecânicas que se complementam

O combate é outro ponto forte de Red Dead Redemption 2.

As armas possuem peso, os tiros têm impacto e cada confronto consegue transmitir uma sensação de violência muito mais física do que simplesmente apertar um botão para eliminar um inimigo.

O sistema também conversa bem com o restante da experiência.

Arthur precisa cuidar de sua saúde, alimentação e outros aspectos relacionados à sobrevivência, enquanto cavalo, equipamentos e recursos fazem parte da rotina.

Essas mecânicas poderiam facilmente se tornar cansativas em outro jogo, mas aqui elas ajudam a criar a sensação de que você realmente está vivendo naquele mundo.

É um dos maiores exemplos de como sistemas secundários podem deixar um mundo aberto mais convincente quando eles estão integrados à proposta principal.

Um nível de realismo impressionante

Talvez a característica mais impressionante de Red Dead Redemption 2 seja o seu compromisso com o realismo.

O jogo não tenta transformar cada atividade em uma versão mais rápida ou conveniente. Ele quer que você perceba o tempo necessário para fazer as coisas.

Seu cavalo possui peso, os animais possuem comportamentos próprios, armas precisam ser cuidadas, o clima interfere na experiência e até pequenas ações possuem animações específicas.

Esse nível de detalhe pode parecer exagerado para alguns jogadores, mas é justamente ele que faz o mundo parecer tão convincente.

Arthur não parece simplesmente controlar um personagem dentro de um mapa.

Ele parece existir naquele lugar.

Uma direção de arte que continua impressionando

Visualmente, Red Dead Redemption 2 é absurdo.

Mesmo anos depois de seu lançamento, paisagens, cidades, florestas, desertos e montanhas continuam sendo alguns dos ambientes mais bonitos já construídos em um mundo aberto.

A Rockstar consegue utilizar iluminação, clima e composição para transformar regiões que poderiam parecer comuns em lugares memoráveis.

Mais do que qualidade técnica, existe uma direção de arte muito forte.

Cada região possui personalidade própria e a passagem do tempo ajuda a reforçar ainda mais essa sensação.

É um daqueles jogos em que parar para observar o cenário faz parte da experiência.

Um áudio que praticamente transporta você para o Velho Oeste

O áudio também merece nota máxima.

A trilha sonora consegue acompanhar tanto os momentos mais grandiosos quanto as cenas mais silenciosas sem exagerar.

Mas o maior mérito está na ambientação sonora.

Cavalos, armas, vento, água, animais, passos e conversas ajudam a construir uma paisagem sonora extremamente rica.

Em vários momentos, é possível simplesmente parar e ouvir o ambiente funcionando ao redor do personagem.

É um dos jogos em que o som contribui diretamente para a sensação de estar naquele mundo.

Uma experiência tecnicamente muito sólida

Na parte técnica, Red Dead Redemption 2 também impressiona pelo tamanho da experiência e pela quantidade de sistemas funcionando ao mesmo tempo.

O desempenho pode variar dependendo da configuração utilizada, mas a experiência geral consegue manter o nível esperado de uma produção desse porte.

Além da performance, a consistência das animações, física, iluminação e comportamento dos elementos do mundo ajuda a reforçar a sensação de autenticidade.

Para um jogo tão ambicioso, isso merece bastante destaque.

O ritmo é lento. E isso faz parte da experiência.

Existe uma crítica que aparece naturalmente quando se fala de Red Dead Redemption 2: o ritmo.

E ela é válida.

O jogo é lento.

As viagens são longas, algumas tarefas possuem animações demoradas e determinadas partes da exploração podem parecer mais arrastadas do que deveriam.

Em alguns momentos, isso pode gerar tédio.

Mas existe uma diferença importante entre um jogo ser lento e ser ruim por causa disso.

Red Dead Redemption 2 usa esse ritmo para construir a própria identidade.

A aventura não quer que você corra pelo mapa procurando a próxima missão.

Ela quer que você viva naquele mundo.

E, quando você aceita essa proposta, o ritmo deixa de ser apenas uma limitação e passa a fazer parte da experiência.

Depois de 80 horas

Depois de aproximadamente 80 horas, fica difícil resumir Red Dead Redemption 2 apenas como um jogo de mundo aberto.

Ele é uma história sobre pessoas, lealdade, mudança e o fim de uma era.

A jornada de Arthur Morgan é o coração de tudo isso.

E é justamente a forma como essa história se conecta ao primeiro Red Dead Redemption que torna a experiência ainda mais especial.

A relação entre os dois jogos transforma acontecimentos que poderiam ser apenas contexto em algo muito mais significativo.

Você não está apenas jogando outra história ambientada no mesmo universo.

Está vendo como aquele mundo chegou ao ponto que já conhecemos.

Nossa leitura

Red Dead Redemption 2 é um exemplo raro de jogo que consegue fazer praticamente tudo em um nível extremamente alto.

O combate é excelente, a exploração é gigantesca, as mecânicas de sobrevivência ajudam a construir o mundo, o realismo cria identidade e a direção de arte continua impressionante.

Mas o maior mérito continua sendo a história.

Arthur Morgan é um personagem que funciona porque sua evolução parece acontecer naturalmente. Você passa tanto tempo acompanhando sua rotina, seus relacionamentos e suas dúvidas que, quando a história começa a chegar aos momentos finais, existe um peso emocional construído ao longo de dezenas de horas.

O principal ponto negativo é justamente o outro lado dessa mesma moeda: a campanha pode parecer lenta demais em alguns momentos e a exploração pode acabar cansando quando você precisa atravessar grandes distâncias sem um objetivo imediato.

Ainda assim, esses momentos são pequenos diante da qualidade geral da experiência.

Red Dead Redemption 2 não é apenas um dos grandes mundos abertos já feitos. É uma história que você leva com você depois que o jogo termina.

The Ronin Score: 9,8/10

Gameplay: 9/10
História: 10/10
Exploração: 10/10
Visual: 10/10
Áudio: 10/10
Desempenho/Técnica: 9/10

Cálculo da nota:
(9 × 0,30) + (10 × 0,20) + (10 × 0,15) + (10 × 0,15) + (10 × 0,10) + (9 × 0,10) = 9,75

Veredito: Vale muito a pena jogar.



Análise por: William Alves
Editor-chefe do The Ronin

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