Marvel’s Spider-Man Remastered - Análise The Ronin

Poucos personagens funcionam tão bem em videogames quanto o Spider-Man. A fantasia de atravessar uma cidade inteira balançando entre prédios, subir pelas paredes e enfrentar criminosos usando teias e acrobacias parece feita para o meio. Marvel’s Spider-Man Remastered entende isso desde os primeiros minutos e transforma a movimentação pela cidade em uma das partes mais divertidas de toda a experiência.

Lançado originalmente em 2018 e desenvolvido pela Insomniac Games, o jogo coloca Peter Parker em uma história original dentro do universo do personagem. A versão Remastered melhora a apresentação visual e técnica, mas preserva aquilo que realmente fez o jogo funcionar desde o início.

Medalha de Prata - The Ronin

Depois de aproximadamente 40 horas no PC, a sensação é de ter jogado uma experiência que acerta muito mais do que erra, ainda que exista uma crítica importante: a campanha termina antes de aproveitar todo o potencial que construiu.

Antes, entenda como avaliamos e pontuamos uma análise, clique aqui.

Balançar por Nova York nunca deixa de ser divertido

O grande destaque de Spider-Man está no balanço pelas ruas de Nova York.

A movimentação é rápida, fluida e extremamente satisfatória. O jogo consegue fazer o deslocamento entre um objetivo e outro parecer parte da própria diversão, em vez de apenas uma maneira de atravessar o mapa.

Você pode simplesmente sair balançando pela cidade e, em poucos segundos, já estar cruzando vários quarteirões. A movimentação também evolui conforme novas habilidades são desbloqueadas, tornando Peter cada vez mais ágil.

É uma mecânica simples na teoria, mas executada com precisão.

A própria Insomniac trabalhou câmera, animações, física e controles para fazer o movimento transmitir a fantasia de ser o Spider-Man. E é justamente aí que o jogo mais impressiona: você não está apenas controlando Peter Parker, em vários momentos, realmente parece que está pensando como ele se moveria.

Um combate que aproveita tudo o que o personagem oferece

O combate segue a mesma filosofia.

Peter pode atacar diretamente, usar as teias, arremessar objetos do ambiente, utilizar gadgets e se movimentar constantemente durante os confrontos.

Isso evita que as batalhas fiquem presas a uma sequência simples de golpes.

O jogador pode lançar um inimigo contra outro, jogar um objeto, puxar um adversário para perto, desviar de ataques e continuar se movimentando pelo cenário. É um sistema que recompensa criatividade e mantém as lutas visualmente interessantes.

A progressão também funciona bem.

Conforme Peter evolui, novas habilidades são desbloqueadas e diferentes equipamentos podem ser utilizados para alterar seu estilo de jogo.

Existe, porém, algum desgaste depois de muitas horas. Alguns tipos de inimigos e situações de combate começam a se repetir, e determinadas atividades podem parecer familiares demais quando aparecem várias vezes.

Ainda assim, a base continua excelente.

Uma história original que consegue prender

A Insomniac não se apoiou apenas nos personagens conhecidos de Spider-Man.

O jogo constrói uma história própria para Peter Parker e trabalha bem o conflito entre sua vida pessoal e a responsabilidade de ser o herói de Nova York.

Esse equilíbrio ajuda a tornar a narrativa mais interessante. Peter não está apenas enfrentando vilões; ele também precisa lidar com suas relações, responsabilidades e consequências das escolhas que faz.

A história também acerta ao usar personagens conhecidos de maneira diferente do que o público pode esperar.

Existe espaço para momentos mais pessoais e outros mais grandiosos, e a campanha consegue alternar entre eles sem perder completamente o ritmo.

O principal problema está na duração.

A campanha é boa, mas termina justamente quando a sensação de que ainda havia espaço para desenvolver algumas ideias começa a aparecer.

Depois do encerramento, fica também aquele vazio comum em jogos de mundo aberto: a cidade continua disponível, mas a motivação narrativa para continuar explorando diminui bastante.

Nova York é praticamente outro personagem

A cidade funciona como uma parte essencial da experiência.

Não é apenas um mapa cheio de atividades. Nova York foi construída para ser percorrida pelas teias.

Existem missões secundárias, crimes, desafios, colecionáveis e diversos pontos de interesse espalhados pelo mapa.

A exploração é recompensadora principalmente porque se mistura com a movimentação. Mesmo quando você está indo para um lugar específico, o percurso até lá continua sendo divertido.

Depois de algumas dezenas de horas, entretanto, a estrutura começa a mostrar suas limitações.

Algumas atividades se repetem e o mapa pode adquirir aquela sensação tradicional de mundo aberto cheio de tarefas marcadas.

Ainda assim, poucas cidades virtuais são tão agradáveis de atravessar.

Um remaster que realmente melhora a apresentação

Visualmente, a versão Remastered continua impressionando.

A cidade possui bastante personalidade, os personagens são bem modelados e as cenas de ação têm o espetáculo esperado de uma grande produção de super-heróis.

O principal mérito, porém, está na direção de arte.

Chuva, iluminação noturna, reflexos, interiores e os próprios prédios de Nova York ajudam a criar uma atmosfera muito forte.

No PC, a versão Remastered também oferece recursos como ray tracing, suporte a monitores ultrawide e opções gráficas mais avançadas, além de tecnologias de reconstrução de imagem. Isso ajuda a tornar a apresentação ainda mais sólida em hardware compatível.

Um áudio competente

O áudio acompanha bem a experiência.

Os efeitos das teias, dos golpes, das explosões e dos gadgets ajudam a tornar os combates mais satisfatórios.

A ambientação também mantém Nova York viva, enquanto a trilha sonora funciona principalmente durante os momentos de ação e as cenas mais dramáticas.

Não é o aspecto mais marcante do jogo, mas cumpre muito bem sua função.

Uma boa experiência técnica no PC

A versão de PC oferece bastante liberdade para ajustar a experiência visual.

Na configuração analisada, o jogo apresentou um desempenho satisfatório e mostrou que a versão consegue se adaptar bem a diferentes níveis de hardware.

Ainda existem algumas características técnicas típicas de uma produção dessa escala, mas nada que comprometa a experiência de forma significativa.

O problema depois do final

É justamente depois de terminar a campanha que aparece uma das maiores fraquezas.

Enquanto a história está acontecendo, existe sempre um motivo para continuar.

Depois, você pode seguir pela cidade, completar atividades e procurar coletáveis, mas aquela sensação de urgência desaparece.

Isso não torna o mundo aberto ruim. Apenas deixa mais evidente como a campanha principal é importante para manter tudo funcionando.

E, considerando a qualidade da narrativa, fica a sensação de que algumas partes poderiam ter recebido mais tempo.

Nossa leitura

Marvel’s Spider-Man Remastered é uma das melhores adaptações do personagem para videogames.

A movimentação é excelente, o combate é divertido, a cidade funciona muito bem como mundo aberto e a história consegue criar uma versão própria do personagem sem depender apenas da nostalgia.

Se existe uma grande crítica, é a duração da campanha e a sensação de vazio que aparece depois dela.

Mesmo assim, depois de aproximadamente 40 horas, o balanço é bastante positivo.

É um jogo que entende exatamente por que as pessoas querem jogar como Spider-Man.

“Spider-Man Remastered turns the simple act of moving through New York into one of the most enjoyable parts of the entire game.”

The Ronin Score: 8,4/10

Gameplay: 9/10
História: 8/10
Exploração: 8/10
Visual: 9/10
Áudio: 8/10
Desempenho/Técnica: 8/10

Cálculo da nota:
(9 × 0,30) + (8 × 0,20) + (8 × 0,15) + (9 × 0,15) + (8 × 0,10) + (8 × 0,10) = 8,40

Veredito: Recomendamos.

Análise por William Alves
Editor e crítico do The Ronin

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