Baldur's Gate 3 - Análise The Ronin

Medalha Ouro The Ronin - Recomendamos

Poucos RPGs conseguem oferecer ao jogador tanta liberdade quanto Baldur's Gate 3. Desde a criação do personagem até as decisões tomadas durante a campanha, o jogo constantemente permite que você encontre suas próprias soluções e construa uma jornada que pode ser muito diferente da de outro jogador.

Essa liberdade é, para mim, o maior triunfo da Larian Studios. Baldur's Gate 3 não parece apenas contar uma história para você: ele cria situações e dá ferramentas para que você decida como aquela história será contada.

Antes, entenda como avaliamos e pontuamos uma análise, clique aqui.


Gameplay

O grande destaque de Baldur's Gate 3 está na liberdade oferecida durante as batalhas.

O sistema de combate por turnos inicialmente pode causar estranhamento para quem não está acostumado ao gênero. Não é um estilo de combate que agrada a todo jogador, principalmente para quem prefere sistemas mais rápidos e baseados em ação.

No meu caso, essa preferência também existia. Porém, conforme as horas passam, fica mais fácil entender por que o formato funciona tão bem para Baldur's Gate 3. Cada turno permite pensar nas possibilidades, combinar habilidades, explorar o cenário e encontrar soluções que nem sempre seriam óbvias.

É possível utilizar o ambiente, posicionamento, habilidades, equipamentos e características dos personagens de maneiras completamente diferentes. Uma batalha que parece simples pode ser resolvida de várias formas, e essa liberdade transforma o combate em uma extensão da própria proposta de RPG.

O jogo também evita obrigar o jogador a seguir uma única estratégia. Você pode preparar uma abordagem cuidadosamente planejada ou simplesmente improvisar quando alguma coisa dá errado.

A principal limitação aparece justamente quando essa liberdade envolve grupos muito grandes de inimigos. Em determinadas batalhas, cada personagem precisa executar seu turno individualmente, e a quantidade de movimentos da inteligência artificial pode tornar o combate excessivamente demorado.

Na missão do submarino, por exemplo, essa demora fica particularmente evidente. Quando muitos inimigos e aliados estão envolvidos, é preciso esperar cada personagem terminar seu movimento e ataque, mesmo quando a ação realizada é pouco relevante. É um problema que também aparece com frequência nas discussões da comunidade, especialmente em confrontos com muitos inimigos.

Em alguns desses momentos, o combate deixa de ser estratégico e passa simplesmente a ser uma questão de esperar.

Criação e liberdade do personagem

A criação de personagem é outro ponto forte.

Existe uma quantidade enorme de possibilidades para definir quem será seu protagonista, desde aparência e raça até classe, habilidades e escolhas feitas durante a campanha. Ainda considero o sistema menos completo do que o de Skyrim quando o assunto é liberdade de criação puramente estética e de identidade, mas isso não impede que Baldur's Gate 3 ofereça um excelente nível de personalização.

Mais importante do que criar o personagem, porém, é descobrir quem ele se torna durante a aventura.

Suas escolhas, relacionamentos e decisões podem alterar eventos, diálogos e caminhos inteiros da campanha. Duas pessoas podem jogar Baldur's Gate 3 e terminar com experiências completamente diferentes.

Personagens

Os companheiros são fundamentais para que essa liberdade funcione.

Cada personagem possui personalidade, objetivos, conflitos e histórias próprias, e a convivência com eles faz com que a campanha deixe de parecer apenas uma sequência de missões.

É fácil criar apego aos companheiros justamente porque o jogo permite que eles acompanhem sua trajetória e reajam às suas decisões. As histórias individuais também conseguem produzir alguns dos momentos mais marcantes da campanha.

Esse é um dos motivos pelos quais o final tem um peso tão grande. Depois de passar tantas horas ao lado daqueles personagens, encerrar a jornada não parece simplesmente terminar um jogo. Existe uma sensação genuína de estar deixando para trás um grupo que acompanhou sua aventura inteira.

História

A história demora um pouco para engrenar.

O início apresenta muitas informações, personagens e possibilidades ao mesmo tempo, e pode levar algumas horas até que a narrativa encontre um ritmo mais forte.

Quando isso acontece, porém, a experiência melhora consideravelmente. O jogo começa a mostrar com mais clareza o impacto das suas escolhas e a maneira como os diferentes núcleos narrativos se conectam.

O maior mérito da história não está apenas no enredo principal, mas na possibilidade de mudar o caminho da campanha através das próprias decisões.

O jogo consegue transformar escolhas aparentemente pequenas em consequências que reaparecem mais tarde, o que reforça constantemente a sensação de que aquela é realmente a sua aventura.

Atos e desfecho

Embora os três atos tenham momentos marcantes, acredito que o Ato 3 poderia receber mais atenção em determinados aspectos, principalmente na forma como a cidade e suas histórias são desenvolvidas.

Baldur's Gate oferece uma quantidade enorme de conteúdo, personagens e missões, mas essa abundância também pode fazer com que algumas linhas narrativas pareçam menos coesas do que poderiam.

Ainda assim, os desfechos individuais dos companheiros são um dos grandes pontos positivos da reta final. Algumas histórias conseguem entregar conclusões muito satisfatórias e emocionalmente fortes.

E, quando a campanha finalmente termina, existe uma sensação pouco comum em videogames: a de que você realmente está se despedindo daquela equipe.

Mundo e exploração

O mundo de Baldur's Gate 3 funciona como uma grande caixa de possibilidades.

O jogador não está constantemente sendo levado pela mão. É possível investigar lugares, conversar com personagens, encontrar caminhos alternativos e descobrir situações que nem sequer fazem parte da rota principal.

Essa liberdade de exploração é importante porque reforça a sensação de que o mundo existe independentemente da missão que você está seguindo.

Muitas vezes, a melhor experiência não vem de completar o objetivo marcado no mapa, mas de descobrir algo completamente diferente no caminho.

Visual e apresentação

Mesmo sendo um RPG isométrico em grande parte da experiência, Baldur's Gate 3 consegue utilizar sua apresentação para aproximar o jogador dos personagens.

As expressões faciais, as cenas de diálogo e a direção das cutscenes ajudam a dar peso às interações, especialmente nos momentos mais importantes da narrativa.

O resultado é uma experiência muito mais próxima dos personagens do que o gênero tradicionalmente costuma oferecer.

Problemas técnicos

Durante esta experiência, não encontrei bugs que prejudicassem significativamente a progressão ou a gameplay.

Isso não significa que Baldur's Gate 3 seja completamente livre de problemas técnicos. A comunidade já registrou problemas de desempenho e atrasos de resposta, principalmente em determinadas áreas do Ato 3. Em discussões de jogadores, também aparecem relatos de atrasos nas ações dos personagens e problemas de desempenho na Cidade Baixa.

Como esses problemas não fizeram parte de forma relevante da minha experiência, não considero justo utilizá-los como um dos principais critérios negativos desta análise.

O problema que realmente afetou minha experiência foi outro: o ritmo de alguns combates.

Pontos fortes

+ Liberdade excepcional nas escolhas
+ Combate extremamente flexível
+ Personagens memoráveis
+ Consequências reais para as decisões do jogador
+ Excelente construção de mundo
+ Ótimos desfechos para os companheiros

Pontos fracos

− História demora um pouco para engrenar
− Grandes batalhas podem ser excessivamente demoradas
− Algumas partes do Ato 3 poderiam ser mais bem desenvolvidas
− Criação de personagem poderia oferecer ainda mais possibilidades

Cálculo da Nota Final

Gameplay — 10/10
A liberdade nas batalhas é excepcional e o combate oferece possibilidades praticamente ilimitadas.

História — 10/10
Apesar de demorar um pouco para engrenar e de algumas ressalvas no Ato 3, a narrativa, os personagens e principalmente as consequências das escolhas alcançam um nível excepcional.

Exploração — 10/10
O mundo oferece caminhos alternativos, descobertas e situações que podem mudar completamente entre diferentes campanhas.

Visual — 10/10
Excelente direção artística, expressões faciais, cinematics e apresentação dos personagens.

Áudio — 10/10
Atuação de voz, trilha e efeitos sonoros contribuem fortemente para a imersão.

Desempenho/Técnica — 10/10
Na experiência analisada, não houve problemas técnicos relevantes que comprometessem a experiência.

Cálculo da nota

(10 × 0,30) + (10 × 0,20) + (10 × 0,15) + (10 × 0,15) + (10 × 0,10) + (10 × 0,10) = 10,0

Pontuação Final: 10/10

Nossa leitura

Baldur's Gate 3 é um RPG que entende muito bem o significado de liberdade.

Seu maior mérito não está em uma única mecânica, mas na maneira como todas elas trabalham juntas para permitir que o jogador construa sua própria experiência. O combate oferece diferentes soluções, a criação permite definir seu personagem, os companheiros possuem histórias próprias e as decisões tomadas durante a campanha podem alterar completamente o caminho da aventura.

O sistema de turnos pode afastar quem procura uma experiência mais rápida, e eu mesmo não tinha grande afinidade com esse formato. Com o tempo, porém, fica claro que ele é fundamental para que o jogo consiga oferecer tantas possibilidades durante os confrontos.

As maiores limitações estão no ritmo. A história demora um pouco para engrenar, algumas partes do Ato 3 poderiam ser mais valorizadas e batalhas com muitos personagens podem se tornar cansativas devido ao tempo necessário para cada turno. Essa última crítica, inclusive, é recorrente entre jogadores e aparece especialmente em confrontos maiores.

Ainda assim, nada disso diminuiu a experiência como um todo.

O que fica depois de terminar Baldur's Gate 3 não é apenas a lembrança de uma boa campanha, mas a sensação de que aquela história foi realmente sua. Suas decisões, seus companheiros, seus erros e as escolhas que você fez construíram uma jornada que dificilmente será igual à de outro jogador.

É justamente por isso que, mesmo com suas limitações, Baldur's Gate 3 é uma experiência que recomendamos fortemente.

The Ronin Score - 10/10.

“For me, this freedom is Larian Studios' greatest triumph. Baldur's Gate 3 doesn't just seem to tell you a story; it creates situations and provides tools that let you decide how that story unfolds.”

Análise por William Alves
Editor e crítico do The Ronin

0 Comentários

Postar um comentário

Faça um comentário (0)

Postagem Anterior Próxima Postagem