Poucos jogos conseguem transformar exploração em uma experiência tão natural quanto The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Hyrule não é apenas um cenário para a aventura acontecer: é parte fundamental dela. Breath of the Wild entende que descobrir o mundo pode ser tão importante quanto seguir a própria história e, anos depois de seu lançamento, continua sendo uma das experiências mais marcantes do gênero.
Lançado em 2017 pela Nintendo, Breath of the Wild coloca Link novamente no centro de uma Hyrule completamente transformada. Após despertar depois de um longo período adormecido, o protagonista precisa descobrir o que aconteceu com o reino e reconstruir, aos poucos, as memórias de seu próprio passado.
Depois de aproximadamente 90 horas, fica difícil não perceber o tamanho do impacto que Breath of the Wild ainda possui. É um jogo que pode parecer lento em determinados momentos, mas recompensa constantemente o jogador disposto a observar, explorar e descobrir as coisas no próprio ritmo.
Uma história que você precisa descobrir
A história é um dos pontos mais interessantes de Breath of the Wild justamente porque ela não é entregue de maneira tradicional.
O jogo não tenta explicar tudo por meio de longas sequências de diálogo. Em vez disso, ele espalha informações pelo mundo, pelas memórias, pelos personagens e pelos lugares que Link encontra durante sua jornada.
Existe uma narrativa indireta muito clara.
Link está sendo reintroduzido ao mundo de Hyrule depois de perder suas memórias, e o jogador passa pela mesma experiência. É como se os dois estivessem conhecendo aquele mundo novamente ao mesmo tempo.
Essa escolha funciona muito bem porque transforma a curiosidade em parte da progressão.
Você não está apenas avançando para descobrir o que vem depois. Muitas vezes, está procurando respostas para entender o que já aconteceu.
O ritmo é mais lento do que o de muitos jogos modernos, mas existe uma recompensa real para quem tem paciência. A história vai ganhando significado conforme as peças começam a se encaixar.
É uma campanha que confia mais na observação do jogador do que na necessidade de explicar tudo.
Uma gameplay que ainda impressiona
A jogabilidade de Breath of the Wild é excepcional.
A Nintendo construiu um sistema em que exploração, combate, física e interação com o ambiente funcionam juntos de maneira extremamente natural.
Você pode escalar praticamente qualquer superfície, utilizar elementos do cenário durante os combates, experimentar diferentes equipamentos e encontrar maneiras alternativas de resolver situações que inicialmente parecem ter apenas uma solução.
A liberdade é uma das maiores virtudes do jogo.
Ainda assim, existe um ponto que poderia ser melhor trabalhado: o bloqueio utilizando apenas a espada.
O sistema defensivo funciona, mas senti falta de uma mecânica um pouco mais elaborada que desse mais profundidade para esse estilo de combate.
É uma crítica pequena dentro de um conjunto extremamente bem construído.
Mesmo depois de dezenas de horas, ainda existe aquela sensação de que você pode tentar alguma coisa diferente. E isso é um dos maiores méritos do jogo.
Hyrule é o verdadeiro protagonista
A exploração é provavelmente o maior motivo para continuar jogando Breath of the Wild.
Hyrule é enorme, mas seu tamanho não existe apenas para preencher espaço. Existe uma quantidade absurda de descobertas espalhadas pelo mapa.
Montanhas, ruínas, santuários, pequenas vilas, inimigos, cavernas e dezenas de situações diferentes fazem com que caminhar até um ponto distante quase sempre resulte em alguma descoberta inesperada.
O jogo também entende muito bem a importância do horizonte.
Muitas vezes você enxerga alguma coisa ao longe e simplesmente decide ir até lá porque quer saber o que existe naquele lugar.
É uma filosofia simples, mas extremamente eficiente.
E é justamente aí que a comparação com Skyrim começa a fazer sentido. Não porque os dois jogos sejam iguais, mas porque ambos conseguem criar aquela sensação de que o mundo continuará existindo independentemente de você seguir a missão principal.
São horas de conteúdo construídas em torno da curiosidade.
Uma obra de arte em movimento
Visualmente, Breath of the Wild continua impressionante.
Mesmo considerando sua época de lançamento, é difícil olhar para Hyrule e não reconhecer o cuidado colocado na direção de arte.
As cores, os cenários, a iluminação e o design dos personagens criam uma identidade visual extremamente forte.
Mais importante ainda é perceber como essa identidade envelheceu.
O jogo não depende de gráficos realistas para continuar bonito. Ele possui um estilo próprio que mantém sua personalidade mesmo anos depois.
É uma verdadeira obra de arte.
E talvez um dos maiores elogios seja perceber a quantidade de jogos que passaram a buscar referências nessa mesma combinação entre mundo aberto, exploração e direção de arte estilizada.
Uma trilha sonora que entende o silêncio
A trilha sonora é perfeita para a proposta do jogo.
Em vez de transformar cada momento em uma sequência musical constante, Breath of the Wild sabe quando deixar o silêncio assumir o protagonismo.
Os sons do ambiente, o vento, os animais e os efeitos naturais ajudam a construir a sensação de estar realmente atravessando uma região desconhecida.
Quando a música aparece, ela possui impacto justamente porque não está presente o tempo inteiro.
É uma trilha sonora que não tenta disputar atenção com o mundo.
Ela complementa o mundo.
Uma experiência que funciona muito bem
Durante as aproximadamente 90 horas de experiência, o desempenho se mostrou satisfatório e não interferiu de forma significativa na progressão.
A aventura consegue manter sua estrutura de exploração funcionando sem transformar problemas técnicos em um obstáculo constante.
E, considerando a escala do mapa e a quantidade de sistemas funcionando simultaneamente, isso merece destaque.
Horas e horas de conteúdo
Se existe uma palavra para definir o conteúdo de Breath of the Wild, ela provavelmente seria enorme.
Depois de 90 horas, ainda existe uma sensação clara de que Hyrule guarda coisas que não foram descobertas.
O jogo consegue manter a exploração interessante porque espalha pequenas recompensas por praticamente todo o mapa.
Você pode passar horas simplesmente explorando, resolvendo santuários, encontrando novas regiões, enfrentando inimigos ou seguindo algum ponto interessante que apareceu no horizonte.
É um daqueles jogos em que o jogador consegue decidir sozinho o que significa “progredir”.
Depois de 90 horas
Depois de aproximadamente 90 horas, a impressão mais forte é de que Breath of the Wild não tenta fazer você correr.
Ele quer que você pare.
Observe.
Explore.
E descubra.
Isso pode ser estranho para quem está acostumado com experiências mais aceleradas, nas quais uma atividade precisa imediatamente levar à próxima.
Aqui, caminhar sem objetivo também faz parte da experiência.
E é justamente quando você aceita esse ritmo que o jogo começa a mostrar todo o seu potencial.
Nossa leitura
The Legend of Zelda: Breath of the Wild é um jogo que entende perfeitamente a diferença entre um mundo grande e um mundo interessante.
Hyrule não impressiona apenas pelo tamanho. Ela funciona porque existe sempre alguma coisa capaz de despertar a curiosidade do jogador.
A direção de arte continua sendo um dos maiores destaques da experiência, mas o grande mérito está na forma como tudo se conecta.
A história combina com a estrutura de exploração. A exploração reforça a sensação de descoberta. E a descoberta faz com que o jogador queira continuar avançando.
A única ressalva mais clara fica por conta de alguns elementos da jogabilidade, especialmente a falta de uma mecânica defensiva mais profunda utilizando apenas a espada.
Ainda assim, isso é pequeno diante do tamanho do conjunto.
Breath of the Wild não é apenas um jogo que você termina. É um mundo que você aprende a conhecer.
The Ronin Score: 9,7/10
Gameplay: 10/10
História: 9/10
Exploração: 10/10
Visual: 10/10
Áudio: 10/10
Desempenho/Técnica: 9/10
Cálculo da nota:
(10 × 0,30) + (9 × 0,20) + (10 × 0,15) + (10 × 0,15) + (10 × 0,10) + (9 × 0,10) = 9,70
Veredito: Necessário jogar.
Análise por William Alves
Editor e crítico do The Ronin
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