The Witcher 3: dublador revela que CD Projekt queria um Geralt sem emoções

Doug Cockle conta que recebeu instruções para interpretar Geralt de forma quase sem expressão, mas decidiu dar mais humanidade ao personagem.

Geralt de Rívia é conhecido pela personalidade fria, pelas respostas secas e pelo jeito aparentemente indiferente diante das situações mais perigosas. Mas essa característica poderia ter sido levada muito mais longe em The Witcher 3.

CD Projekt Red/Reprodução

Em uma entrevista recente ao Tom’s Guide, Doug Cockle, dublador de Geralt nos jogos da franquia, revelou que a CD Projekt RED originalmente queria um protagonista praticamente sem emoções. Durante as gravações, o ator recebia com frequência orientações para deixar o personagem sem expressão e reduzir ao máximo qualquer demonstração emocional.

Cockle, porém, não concordava completamente com essa direção. 

Segundo o ator, interpretar Geralt como alguém incapaz de demonstrar qualquer sentimento dificultaria a conexão do público com o personagem. Para ele, o bruxo não é alguém sem emoções, mas alguém que aprendeu a escondê-las e a não permitir que elas controlem suas decisões.

Essa diferença pode parecer pequena, mas muda bastante a forma como Geralt funciona dentro da história. 

O personagem continua sendo contido e difícil de ler, mas suas escolhas revelam que existe muito mais acontecendo por trás daquela postura.

A relação com Ciri é um dos melhores exemplos. Ao longo de The Witcher 3, Geralt toma diversas decisões pensando na segurança da filha adotiva. Para Cockle, esse comportamento seria difícil de explicar caso Geralt realmente não sentisse nada.

A interpretação do ator acabou ganhando cada vez mais espaço conforme a franquia avançou. Cockle acredita que os próprios roteiristas passaram a trabalhar com mais confiança essa faceta emocional do personagem, algo que fica especialmente evidente em momentos de The Witcher 3: Blood and Wine.

Nossa leitura

Curiosamente, essa não é uma opinião nova do dublador. 

Cockle já havia falado sobre o assunto anos atrás, explicando que nunca enxergou Geralt como uma pessoa completamente sem emoções. A nova entrevista apenas trouxe o assunto novamente à tona, agora em um momento em que o personagem voltou a ganhar destaque com o anúncio de Songs of the Past.

A revelação de Doug Cockle é interessante porque mostra como uma pequena decisão de interpretação pode mudar completamente a percepção de um personagem. Geralt funciona justamente por estar no meio-termo: ele é contido, sarcástico e acostumado a esconder sentimentos, mas não é uma máquina sem emoções.

A relação do bruxo com Ciri, Yennefer e outros personagens seria muito menos convincente caso Geralt fosse interpretado como alguém incapaz de demonstrar qualquer afeto. A escolha de Cockle ajudou a preservar essa humanidade e, olhando para o resultado de The Witcher 3, parece ter sido uma das decisões que fizeram o personagem se tornar tão marcante.

No fim, talvez a interpretação que conhecemos hoje de Geralt seja justamente resultado desse conflito entre a direção inicial da CD Projekt RED e a maneira como Doug Cockle enxergava o personagem.

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