Um projeto bastante incomum mostrou até onde um celular pode chegar quando o limite térmico praticamente deixa de existir. Um modder transformou um Nubia Z70 Ultra em uma espécie de PC de jogos improvisado, colocando o aparelho entre dois enormes coolers de CPU de desktop para segurar as temperaturas do Snapdragon 8 Elite.
Imagem: Reprodução/CD PROJEKT RED
Foi justamente essa limitação que um entusiasta decidiu enfrentar de uma forma nada convencional. Em um projeto publicado no Reddit, o usuário @ntsow desmontou um ZTE Nubia Z70 Ultra e transformou o celular em uma espécie de computador de mesa, colocando a placa principal do aparelho entre dois coolers de CPU de desktop.
O resultado é tão exagerado quanto interessante: um smartphone praticamente sem a carcaça original, preso em uma estrutura personalizada de acrílico e refrigerado por dois dissipadores muito maiores do que qualquer sistema que caberia normalmente dentro de um celular.
Um Snapdragon 8 Elite levado ao limite
O aparelho escolhido foi o Nubia Z70 Ultra, equipado com o Snapdragon 8 Elite, processador lançado em 2024 com núcleos de alto desempenho capazes de chegar a 4,32 GHz.
A configuração utilizada no experimento também não é modesta. O celular tem 24 GB de memória RAM LPDDR5X e 1 TB de armazenamento UFS 4.0, oferecendo bastante espaço para manter o sistema funcionando como uma máquina de testes.
Para montar o projeto, o modder desmontou praticamente todo o aparelho. Câmeras, componentes da rede móvel e a tela original foram retirados da estrutura. A tela foi instalada separadamente em uma carcaça personalizada de acrílico, enquanto a placa-mãe ficou exposta para receber os novos componentes de refrigeração.
Os dois dissipadores de CPU foram instalados em lados opostos da placa. Como as bases dos coolers conseguem cobrir uma área muito maior dos componentes principais do que o sistema de refrigeração original do smartphone, a capacidade de dissipação aumenta bastante.
Na prática, a ideia era simples: tirar o máximo possível da limitação térmica do Snapdragon 8 Elite e descobrir quanto desempenho ele consegue manter por longos períodos.
Imagem: Reprodução/@ntsow (Reddit)
Desempenho sustentado impressiona
Foi justamente nos testes prolongados que o projeto começou a ficar ainda mais interessante.
No 3DMark Wild Life Extreme, o sistema alcançou uma estabilidade de 99% após 20 ciclos. A melhor pontuação registrada foi de 6.980 pontos, enquanto a menor ficou em 6.910, uma diferença de apenas 70 pontos entre os extremos. Também foi registrada uma pontuação de 10.533 no 3DMark, colocando o aparelho modificado à frente de um Galaxy S25+, que utiliza o mesmo Snapdragon 8 Elite.
A diferença mais interessante, porém, não está necessariamente no maior número do benchmark, mas na capacidade do aparelho de sustentar o desempenho sem despencar conforme a temperatura aumenta. É justamente aí que os dois coolers enormes fazem diferença.
Imagem: Reprodução/@ntsow (Reddit)
Depois de transformar o celular em praticamente um mini-PC, o modder foi além dos benchmarks e tentou executar jogos originalmente desenvolvidos para computador.
O ambiente utilizado combina Linux, XFCE4, Termux, Wine e Box64, permitindo que o Snapdragon execute software criado para arquitetura de PC. E o resultado mais chamativo veio com The Witcher 3.
O jogo conseguiu ser executado em 1080p com os gráficos no Ultra, chegando a algo em torno de 20 a 30 FPS. Não é uma taxa de quadros impressionante para os padrões de um PC gamer, mas considerando que o processamento está vindo de um chip de smartphone, o resultado é bastante curioso.
E vale lembrar que esse não é exatamente um celular rodando The Witcher 3 como ele sairia da caixa. O experimento removeu boa parte da estrutura original do aparelho, criou uma refrigeração completamente fora do padrão e utilizou uma configuração de software específica para executar o jogo.
Análise do Ronin
O mais louco nessa história nem é colocar The Witcher 3 para abrir em um celular. O que realmente chama atenção é descobrir o quanto de desempenho fica escondido quando o hardware mobile consegue trabalhar sem esquentar demais.
Um smartphone precisa ser fino, silencioso e confortável para segurar. Isso limita bastante a quantidade de energia que o processador pode consumir durante longos períodos. Quando a temperatura sobe, entra o thermal throttling e o desempenho começa a cair.
O modder basicamente eliminou esse problema na marra.
Colocar dois coolers de desktop em uma placa de celular obviamente não é algo que alguém faria no uso normal. Mas o experimento mostra que o Snapdragon 8 Elite ainda tem bastante fôlego quando recebe uma refrigeração muito acima do que um smartphone convencional consegue oferecer.
E aí entra a parte mais interessante: 20 a 30 FPS em 1080p no Ultra em The Witcher 3 não transforma o Nubia em um PC gamer, mas mostra o quanto os chips mobile já avançaram.
Há alguns anos, seria difícil imaginar um experimento desses chegando tão longe. Hoje, o gargalo começa a parecer menos a capacidade de processamento e mais tudo aquilo que existe ao redor dela: refrigeração, energia, sistema operacional e compatibilidade com software de PC.
Por enquanto, o resultado continua sendo uma experiência de laboratório — e, convenhamos, uma experiência completamente absurda. Mas é exatamente esse tipo de projeto que deixa claro que a distância entre celular e PC está ficando cada vez menor.
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